Enquanto você lê esse post, eu já estou em Orlando. O ISTELive 26 acontece aqui em Orlando esse ano e começa no dia 28/06. Esse ano eu vou apresentar quatro sessões na programação regular, mais uma no estande do Google, e ainda vou ser voluntária do evento. Pois é, hoje isso já é quase rotina, mas não foi assim que começo.
Antes de te contar sobre as minhas apresentações e o que rolou por lá (isso fica para os próximos post, prometo), eu queria fazer essa pausa para contar duas coisas: o que é o ISTE, para quem nunca ouviu falar, e como foi a minha trajetória dentro dessa conferência, que hoje ocupa um espaço enorme no meu trabalho como educadora.
O que é o ISTE, afinal?
Se você nunca teve contato com tecnologia educacional fora do Brasil, é bem possível que nunca tenha ouvido falar do ISTE. E tudo bem, esse é exatamente o motivo desse bloco. Eu, como professora de inglês, sempre tive muito acesso a educadores internacionais e o que eles compartilhavam.
O ISTE (International Society for Technology in Education) é uma organização americana sem fins lucrativos, fundada em 1979 (na época com outro nome, ICCE – International Council for Computers in Education), com a missão de empoderar educadores a reimaginar e redesenhar o aprendizado através de pedagogia significativa e uso intencional da tecnologia. Em outras palavras: tecnologia que serve à pedagogia, não o contrário (sim, é o que eu costumo falar por aqui).
O ISTE é mais conhecido por dois produtos: os ISTE Standards, um conjunto de diretrizes para o uso de tecnologia para aprender, ensinar e liderar (adotado em todos os estados americanos e em diversos países, e às vezes citado em documentos curriculares mundo afora), e a Certificação ISTE, uma credencial baseada em competências para professores. Em 2023, o ISTE se fundiu com a ASCD, outra organização gigante focada em desenvolvimento pedagógico, e desde então as conferências dos dois acontecem juntas.
E é justamente disso que eu quero falar agora: o ISTELive, a conferência anual do ISTE, que é considerada a mais abrangente conferência de tecnologia educacional do mundo, com mais de três décadas de história. Esse ano, o ISTELive 26 está acontecendo em Orlando, de 28 de junho a 1º de julho, junto com a ASCD Annual Conference. Basicamente dois eventos gigantes em um, com milhares de educadores, centenas de sessões e um expo hall enorme com as principais empresas de edtech do planeta.
Minha história com o ISTE
Aqui vem a parte que eu mais gosto de contar, porque, olhando para trás, minha trajetória no ISTE conta também a história da minha própria trajetória profissional.
Fui pela primeira vez em 2015, na Phildelphia, depois que minha chefe na época tinha ido e voltou de lá com uma certeza: Roberta, você tem que ir. E confesso que a primeira ida foi incrível mas também assustadora. Eu nunca tinha ido a uma conferência tão grande (e tão boa).
Depois voltei em 2018 e 2019, só para assistir, sem nenhuma pretensão de apresentar. Só absorvendo, anotando ideia atrás de ideia, voltando para o Brasil com a cabeça fervilhando.
E em 2020 tudo mudou: apresentei minha primeira sessão, “4 tech tools to enhance English language learning”. Lembra que 2020 foi o ano da pandemia? Pois é. A conferência seria em junho, mas claro que não aconteceu. Acabou rolando no fim do ano, de forma online. E a partir de então o ISTE começou a oferecer também a versão virtual da conferência (e faz até hoje!). Em 2021 eu já estava falando sobre “Engaging ELL in HyFlex classes”, porque, né, todo mundo estava tentando descobrir como ensinar ao mesmo tempo presencial e remoto, e eu não fiquei de fora dessa.
Em 2022 eu ainda participei online. Antes mesmo da explosão do ChatGPT que aconteceria no fim daquele ano, eu já estava lá apresentando “AI in the EL Classroom”. Confesso que isso ainda me surpreende quando paro pra pensar. 2023 eu só assisti de novo e online também.
E aí veio 2024, o ano em que tudo mudou rs. Eu fui demitida em Março de 2024 e logo depois recebi a notícia de que minhas propostas tinham sido aceitas no ISTE. Bateu aquela dúvida né… Será que eu vou? Melhor guardar esse dinheiro? Pois eu fui e foi uma das melhores escolhas que eu poderia ter feito! Foi um ótimo investimento da minha rescisão rs. O ISTE foi em denver esse ano! Eu apresentei: um pôster sobre realidade virtual no ensino de línguas, dois Innovation Arcades (um formato mais hands-on, tipo um balcão onde você mostra sua ideia na prática para quem passa) sobre IA Generativa no ensino de inglês e sobre realidade virtual, e ainda um Google Demo Slam (sessões rápidas e dinâmicas patrocinadas pelo Google) com “AI Experiments with Google”. Uma das sessões da Innovation Arcade foi um convite da própria organização do ISTE! Eles viram minha proposta de pôster e acharam que se encaixava bem no formato de Innovation Arcade, então me chamaram para repetir a sessão. Em 2024 foi o primeiro ano que fui voluntária no ISTE e foi uma experiência incrível! Se você completar pelo menos 8 horas de voluntariado, você recebe de volta o valor da inscrição, que é bem salgado, principalmente para nós que ganhamos em real e pagamos em dólar! E você pode escolher de que forma você vai ser voluntário. Eu escolhi ser voluntária no Innovation Arcade e no Creativity Crossroads. Na Arcade, eu era responsável por ajudar os participantes a testarem o Oculus Quest. E no Creativity Crossroads, eu ajudava os participantes nas experiências práticas e criativas que estavam disponíveis, além de explicar os projetos das escolas que estavam sendo exibidos.
E em 2025 eu consegui me planejar melhor para ir, mas não consegui ser voluntária… A conferência aconteceu em San Anotnio e eu me apaixonei pela cidade! Foi também a primeira vez que eu fui com uma amiga que dividiu quarto comigo e que também teve um grupo de Google Innovators da turma BRZ24 que foi. Além de um Turbo Talk (formato curto e provocador) chamado “GenAI and ELL: Friend or Foe?” – porque sim, eu insisto em fazer essa pergunta – e de outro Google Demo Slam (“Cultivating AI Skills with Google Arts & Culture”), eu também levei um pôster sobre IA para crianças pequenas (“Tiny Techies: Sparking AI Curiosity in Little Minds”) e participei do playground chamado “Future Ready Playground: Designing Skills for Tomorrow”. Ou seja: a mesma discussão sobre IA que eu vinha levando para o ensino de inglês começou a se espalhar para outras faixas etárias e outros formatos.
E chegamos em 2026. Ainda fiquei achando que não conseguiria ir, porque afinal, está rolando a Copa do Mundo por aqui e achei que os preços estariam exorbitantes! Mas por incrível que pareça, estavam mais baratos que os outros anos! E esse ano, repito: quatro sessões na programação principal, uma participação no estande do Google, e ainda vou ser voluntária de novo.
É a minha décima participação no ISTE e eu aprendo demais a cada ida. É um investimento hoje em dia que já faz parte do orçamento da minha empresa, pois me traz muito retorno. Uma das coisas que eu amo no ISTE é a experiência dos participantes. Eles pensam muito no desenho da experiência e dá para ver como as experiências são conectadas com a sala de aula. É muito conteúdo, e conteúdo muito bom, compartilhado em dezenas de formatos diferentes, de acordo com as suas preferências. E sinto muito orgulho de fazer parte disso e poder mostrar um pouco do nosso trabalho aqui no Brasil para educadores do mundo todo!
Por que eu acho importante contar isso
Eu poderia simplesmente postar fotos de Orlando e dizer “olha que evento incrível”, mas acho que essa trajetória importa por outro motivo: ela mostra que virar referência em algum assunto não é sobre talento nato, é sobre repetição, presença e ir ajustando o discurso conforme o mundo (e a sala de aula) muda. Eu não comecei falando de IA. Comecei falando de ferramentas simples para o ensino de inglês, fui me adaptando à pandemia, entrei na conversa sobre IA antes dela virar hype, e hoje continuo perguntando “amiga ou inimiga?” em vez de aceitar o discurso fácil de que a tecnologia resolve tudo.
É a mesma coisa que eu digo aqui no blog quando falo em educar COM, SOBRE e PARA a IA: a tecnologia muda, os formatos mudam, mas o olhar crítico do educador é o que continua valendo.
No próximo post eu volto para te contar sobre as minhas apresentações desse ano!
E você, já tinha ouvido falar do ISTE antes desse post? Tem alguma curiosidade sobre o que rola por lá que eu possa responder no próximo texto? Me conta aqui nos comentários!
PS: se quiser acompanhar o ISTELive 26 em tempo real, estou postando stories direto de Orlando no Instagram. Te vejo lá!







Olá Roberta venho te seguindo desde que comecei minhas certificações do Google, e vendo sua jornada agora vejo que a jornada é, caminhando que se controi o caminho, gostei muito de ler seus relatos e as dicas, Parabéns emocionante fazer e trabalhar com o que se gosta e ainda compartilhar tudo é incrível.
Até a próxima 🙂
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