Eu paguei por uma ferramenta de IA, e não me arrependo

Por que decidi (finalmente!) pagar por uma Inteligência Artificial

Se você acompanha o blog ou minhas redes sociais ou já fez alguma formação comigo, provavelmente já me ouviu dizer: “Eu não pago por nenhuma ferramentas de Inteligência Artificial”. E eu tinha um motivo muito bom para isso. Como o meu trabalho é apoiar educadores a integrarem a tecnologia em suas aulas, eu sempre fiz questão de usar apenas as versões gratuitas. Afinal, eu sei perfeitamente que a realidade da maioria dos professores e das escolas brasileiras não envolve verba sobressalente para assinar três ou quatro plataformas por mês. Fazia sentido, né? Faz parte da minha identidade como formadora entender a realidade dos professores que atendo. Então eu precisava conhecer de verdade o que é gratuito, o que funciona, o que não funciona.

Pois bem. Eu quebrei minha própria regra. E o responsável tem nome: Claude. E o motivo de eu ter quebrado a minha própria promessa não foi nenhum capricho tecnológico, mas a percepção de que ele se tornou um assistente de trabalho absurdo para a minha rotina, com capacidades muito acima das outras IAs que eu costumo usar.

Neste post, quero te contar o que me fez mudar de ideia e como tenho usado o Claude no meu dia a dia.

Como o Claude entrou na minha vida

Eu já conhecia o Claude como ferramenta. Testei, usei pontualmente, mas não tinha me aprofundado. Até que todo mundo começou a falar mais do Claude e eu decidi dar mais uma chance. Comecei a perceber então que ele conseguia fazer coisas que os outros não faziam da mesma forma, pelo menos não com a mesma qualidade de resposta e compreensão de contexto.

Aí eu fui cedendo. Primeiro testei a versão gratuita. Aí como previsto, os tokens acabavam rápido, mas tudo bem, eu tentava não me abalar e voltar na hora da liberação de mais tokens. E para usar melhor o Claude, eu decidi fazer os cursos disponíveis na própria plataforma. Era o empurrãozinho que faltava… Vi ali tantas possibilidades nas funcionalidades pagas que a tentação foi aumentando. Depois, em um momento de necessidade real no trabalho, me vi querendo mais. E pronto, assinei o Pro.

Hoje uso o Claude como um verdadeiro parceiro de trabalho. Não como uma ferramenta de geração de conteúdo (aquele uso genérico que todo mundo faz), mas como alguém, ou algo, com quem eu consigo pensar junto.

O que eu tenho feito com o Claude

O que mais me conquistou foi a profundidade das interações, a sensibilidade ao tom e o contexto expandido. A escrita dele parece menos robótica e parece que ele consegue captar nuances que outras IAs ignoram. Percebo que o Claude faz mais perguntas quando faltam informações e por isso parece que os resultados são mais certeiros.

Exemplos:

Criação e estruturação de conteúdo educacional: roteiros de vídeo, ementas de curso, materiais para formações. Não só gerando rascunho, mas refinando, questionando, reorganizando junto com ele.

Pesquisa e síntese de informações: quando preciso entender um tema novo rapidamente ou comparar abordagens, o Claude vai muito além do que uma busca comum entregaria. Na análise de dados ele também é ótimo.

Planejamento: de projetos, de posts, de formações. Tenho usado muito a possibilidade de criar Projects para organizar contextos diferentes do meu trabalho.

Refinamento de materiais com a minha própria linguagem: Para quem escreve muito (como posts de blog, newsletters e materiais de cursos), manter a consistência da nossa voz é um desafio quando usamos IA. No Claude, eu consigo criar um ambiente onde ele analisa meus textos anteriores. Quando preciso criar um roteiro ou estruturar uma ideia nova, ele me ajuda a organizar o pensamento, mas sem perder o tom acolhedor, direto e crítico que eu faço questão de manter. E sinto que ele capta a minha voz bem melhor que as outras IAs e sem trazer tantas marcas comuns de textos escritos com IA.

Uma das funcionalidades pagas que me deixou mais tentada: o Claude Design

Mas tem uma coisa que me pegou de surpresa de verdade. Dentro do Claude existe uma funcionalidade chamada Claude Design, que permite criar materiais visuais, entre eles, decks de slides. Eu precisava de um template para as minhas formações e cursos, com a minha identidade visual, e resolvi testar.

Passei as cores e a identidade visual da minha marca, descrevi o que precisava, coloquei meu site como referência e pedi que criasse do zero. Fiquei muito surpresa com a qualidade. Não esperava que uma ferramenta de IA conseguisse capturar a essência visual da minha marca assim, sem eu precisar ficar em rodadas intermináveis de ajuste. E o melhor, dá para exportar facilmente como PPT e usar no Google Slides ou exportar direto para o Canva.

Agora tenho um template que é meu, que representa o meu trabalho, e que eu posso usar nas minhas formações. E que eu ainda posso usar dentro do próprio Claude, pedindo para ele criar apresentações usando o meu template!

As funcionalidades que eu ainda nem explorei direito

Eu assino o Claude, tenho usado bastante, mas ainda tenho muito a descobrir. Tem duas funcionalidades que eu fico olhando e dizendo “preciso testar isso direito um dia”:

O Claude Code, que é uma ferramenta de programação voltada para quem trabalha com código. Não é exatamente o meu dia a dia, mas como eu me interesso cada vez mais por automações e as possibilidades das ferramentas que uso, está na minha lista.

E o Cowork, que é uma ferramenta para automatizar tarefas de arquivos e gerenciamento no desktop, pensada para não-desenvolvedores. Confesso que tenho ainda um receio de dar acesso a todo o meu computador a uma IA, então ainda não testei, mas está no radar.

Então, e a minha regra?

Ainda acredito nela. Ainda acho que é fundamental conhecer o que é gratuito e funcionar dentro dessas limitações quando se trabalha com professores de escola pública.

Ainda acredito e defendo que a tecnologia deve servir ao propósito pedagógico, e não o contrário. E a desigualdade de acesso ainda é uma pauta que me preocupa profundamente. Mas precisei entender que o Claude poderia fazer muito pela qualidade do meu trabalho e por isso não me arrependo da escolha.

Eu vou continuar testando e trazendo ferramentas gratuitas para as minhas formações, porque sei que essa é a realidade da maioria. Mas, para a minha produtividade como criadora de conteúdo e designer instrucional, o Claude se pagou na primeira semana em termos qualidade nas entregas.

E você? Já usou o Claude? Tem alguma ferramenta de IA paga que conquistou você? Me conta aqui nos comentários!

Compilado de artigos

Guia Básico: IA para Educadores

Um percurso completo, dos fundamentos da IA à prática em sala de aula, para que você não apenas acompanhe essa transformação, mas a lidere com propósito e segurança.

2 COMENTÁRIOS

  1. […] Quem escreveu isso? apresente duas apresentações curtas sobre as regras da sala de aula (uma escrita por você, outra gerada por IA) e peça para a turma identificar qual é qual e justificar. Serve de gancho para conversar sobre voz autoral, algo que eu já toquei quando falei sobre manter a própria voz usando IA. […]

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Roberta Freitas

Professora

Roberta é educadora com foco em tecnologia educacional e interesse em novas tecnologias, inovação, gestão e capacitação de professores. Mestre em Estudos da Linguagem, graduada em Letras. Google Innovator, Google Trainer e líder do Grupo de Educadores Google do Rio de Janeiro. Atua no ensino de língua inglesa há mais de 15 anos e se especializou em integração de tecnologia educacional no currículo. Tem experiência e interesse em design instrucional, capacitação de professores, ensino remoto e híbrido, metodologias ativas, ensino de idiomas, integração de tecnologia educacional, cultura maker, realidade virtual e aumentada e inteligência artificial. É fã de moda, viagem e gastronomia.

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