As ferramentas que eu uso para criar conteúdo

Os bastidores da minha produção de conteúdo: como uso Projetos no Claude, Claude Design, ChatGPT e Canva, e o que nenhuma ferramenta faz por mim.

Os bastidores da minha produção de conteúdo: como uso Projetos no Claude, Claude Design, ChatGPT e Canva, e o que nenhuma ferramenta faz por mim.

Já tem uns 2 anos que eu produzo conteúdo regularmente: blog toda semana, carrossel, Reels, LinkedIn, newsletter, YouTube… E muita gente olha de fora e não sabe como eu dou conta de tudo. A resposta curta é: eu não faço tudo do zero. E, sim, eu uso IA pra isso (seria estranho se eu, que falo de IA o dia inteiro, não usasse rs).

Mas a resposta longa é mais interessante, e é ela que eu quero contar aqui. Porque, assim como no post sobre ferramentas de slides, a ferramenta é a parte menos importante da história. O que faz a produção andar não é a IA, mas todo o fluxo de produção. Então neste post eu abro os bastidores: quais ferramentas eu uso, pra quê, o que eu gosto em cada uma e o que me incomoda (porque sempre tem alguma coisa).

Antes das ferramentas: um conteúdo vira vários

O maior segredo (se é que dá pra chamar de segredo) é que eu não crio um conteúdo diferente pra cada rede. Eu normalmente crio um conteúdo principal e adapto ele para cada formato. Quase sempre o ponto de partida é o blog, porque é onde eu tenho espaço para pesquisar, citar fonte e desenvolver um raciocínio inteiro.

Depois que o post está pronto, ele vira:

  • um carrossel para o Instagram, com as ideias principais em poucos slides
  • um post para o LinkedIn, mais analítico
  • um roteiro de Reels, curto e com gancho
  • um roteiro de vídeo para o YouTube, em tópicos
  • um trecho da newsletter

Parece muita coisa, mas a parte mais pesada (pensar, pesquisar, escrever) acontece uma vez só. O resto é adaptação de linguagem e de formato. E as ferramentas entram nas duas pontas: no estudo, depois que eu já li, e na adaptação.

Gemini Notebook: para estudar depois de ler

Print do Gemini Notebook mostrando o notebook 'Guia de Diretrizes para Inteligência Artificial na Educação Básica', com duas fontes em PDF listadas à esquerda, o resumo do documento ao centro e o painel Estúdio com opções como resumo em áudio, apresentação e mapa mental à direita.

A parte mais pesada do meu trabalho acontece antes de qualquer rascunho: ler artigos, notícias, relatórios e documentos oficiais. E aqui vai uma ordem que eu faço questão de seguir: primeiro eu leio, faço minhas anotações e só depois eu uso a IA. Nunca o contrário.

Depois da minha leitura, eu subo o material no Gemini Notebook (o antigo NotebookLM) e uso ele como parceiro de estudo. Peço para localizar o trecho exato de onde saiu um dado, comparar o que dois documentos dizem sobre o mesmo tema, ou testar se eu entendi um conceito do jeito certo. Como ele responde a partir das fontes que eu dei, cada resposta aponta para o trecho original, e eu consigo conferir.

Como eu uso: revisão de artigos, relatórios de pesquisa e documentações, sempre depois da leitura.

O que me incomoda: o resumo é tão bom que dá vontade de pular a leitura. Mas resumo não é leitura: ele escolhe o que é importante por você, e as nuances (justamente o que vira opinião e análise num post) costumam ficar de fora. Ele também pode errar ao interpretar um trecho, então eu volto à fonte sempre que um dado vai para o texto.

Pra quem funciona melhor: quem estuda documentos longos e precisa de rastreabilidade, inclusive professores preparando aula a partir de um material de referência.

Projetos no Claude: o lugar onde o fluxo mora

Print da tela de Projetos do Claude mostrando cards de projetos como 'YouTube/ Reels', 'Blog RF', 'Newsletter', 'Formação em IA Maple Bear', 'CNA' e 'Carrossel - MD', cada um com uma breve descrição do propósito do projeto.

Se eu tivesse que escolher uma ferramenta só, hoje em dia seria o Claude. Os Projetos do Claude são espaços de trabalho onde você deixa instruções fixas e arquivos de referência que valem para todas as conversas daquele projeto. Ou seja: eu não preciso explicar de novo, toda vez, quem eu sou, pra quem eu escrevo e como eu escrevo.

No meu projeto do blog, as instruções descrevem o meu público (educadores), o meu tom em cada rede e a estrutura que cada formato segue. Um exemplo: para o YouTube, eu não peço roteiro palavra por palavra, porque eu não gravo lendo. Eu peço tópicos com as ideias-chave, e falo a partir deles. Já o roteiro de Reels segue sempre o mesmo esqueleto: gancho, caso, virada para o que a pesquisa diz, fechamento pedagógico e chamada para ação.

Uma coisa que fez muita diferença: antes de pedir qualquer rascunho, o Claude lê posts meus que já estão publicados, pra calibrar a voz. Quanto mais exemplos reais seus a IA tem, menos ela soa como “qualquer pessoa”.

Como eu uso: roteiros de YouTube e Reels, posts de LinkedIn e Instagram, rascunhos de newsletter, carrosséis para o instagram e revisão dos meus próprios textos.

O que me incomoda: o primeiro rascunho quase nunca está pronto. Ele vem certinho demais, às vezes com frases que eu nunca diria. Eu reescrevo bastante (e acho que é assim que tem que ser). Além disso, é um recurso dos planos pagos.

Pra quem funciona melhor: quem produz conteúdo com frequência e repete o mesmo tipo de tarefa. Vale para professor também: um projeto por turma, com o plano de curso e o perfil da turma como referência, já muda muito a qualidade das respostas.

Claude Design: quando o conteúdo precisa ter a cara da minha marca

Print da seção Design do Claude mostrando as opções 'Slides', 'Design' e 'Design System' para criar algo novo, com uma lista de apresentações criadas em setembro, como 'Ebook ISTELive 26' e 'Slide deck in Roberta Freitas system'.

Eu já falei do Claude Design no post sobre ferramentas de slides, então aqui vou direto ao meu uso. Eu criei com ele um template com a minha identidade visual: minhas cores, minhas fontes, o jeito como eu organizo um slide. Hoje, quando preciso de uma apresentação para uma formação ou palestra, eu parto desse template em vez de começar do zero.

Como eu uso: apresentações de formações e palestras, sempre a partir do meu template.

O que me incomoda: ele não gera imagens próprias, então a parte de ilustração continua vindo de outro lugar. E, como todo resultado bonito, dá vontade de aceitar a primeira versão sem revisar o conteúdo. Slide bonito com informação errada continua sendo informação errada.

Pra quem funciona melhor: quem já tem (ou quer criar) uma identidade visual consistente, seja de marca pessoal, de curso ou de escola.

ChatGPT: para gerar imagens padronizadas para o blog

Print de uma conversa no ChatGPT com um prompt descrevendo uma mesa dividida ao meio, com um caderno com adesivo 'gems' de um lado e um celular com etiqueta amarela 'patrocinado' do outro, e a imagem gerada a partir desse prompt logo abaixo.

Para gerar imagens, eu uso o ChatGPT. Se você reparar, as capas e a maioria das imagens aqui do blog seguem um padrão: mesa vista de cima, fundo de madeira, traços em azul, detalhes em amarelo. Isso não é por acaso. Eu descrevo esse estilo no prompt sempre do mesmo jeito, e é isso que garante que uma imagem converse com a outra.

A lição que eu levo daqui vale para qualquer geração de imagem: se você pede “uma imagem sobre IA na educação”, vai receber o robô de sempre apontando para um quadro. Quanto mais específico o estilo, a composição e as cores, mais a imagem parece sua.

Como eu uso: ilustrações de capa e imagens de apoio para posts.

O que me incomoda: texto dentro da imagem ainda erra (letra trocada, palavra inventada ou textos muito clichês), então eu evito pedir texto ou corrijo depois. E existe uma questão ética que eu não quero ignorar: esses modelos foram treinados com o trabalho de muitos artistas. Por isso eu não peço “no estilo de” alguém.

Pra quem funciona melhor: quem precisa de ilustração com frequência e consegue descrever um estilo visual com clareza.

Canva: onde tudo ganha forma final

Print do Canva mostrando o carrossel 'Carrossel AI Slop' com vários slides azuis e amarelos sobre o tema AI Slop, assinados por @betafreitas, organizados lado a lado prontos para publicação.

O Canva é a ferramenta mais antiga da minha lista, e continua sendo a que eu mais abro no dia a dia. Uso para duas coisas bem diferentes.

Adaptar imagens. A mesma capa do blog precisa virar post quadrado, story vertical, thumbnail do YouTube e banner do LinkedIn. No Canva eu redimensiono, removo fundo, ajusto enquadramento e coloco tudo nas cores da minha marca, que já ficam salvas no kit de marca.

Montar carrosséis. O roteiro do carrossel já sai do meu Projeto com o texto de cada slide, e com a integração Canva + Claude, o Claude já monta o carrossel para mim dentro do Canva e eu só preciso fazer eventuais ajustes de tamanho de fonte ou imagem.

O que me incomoda: os recursos de IA do próprio Canva ainda geram muita coisa genérica, e os melhores recursos estão no plano pago (ou no educacional). Para mim ele funciona melhor como mesa de montagem do que como gerador de ideias.

Pra quem funciona melhor: praticamente todo mundo (e muitas escolas já têm acesso ao Canva para Educação).

Google Vids: para gravar tutoriais

Print do Google Vids mostrando o projeto 'Políticas de IA', com a gravação de tela de uma conversa no Gemini sobre construção de política de IA para escolas, legenda com links do Gem e do Notebook, e a linha do tempo de edição com 9 minutos e 38 segundos de duração.

Quando o conteúdo precisa mostrar a tela (um passo a passo de ferramenta, por exemplo), eu gravo no Google Vids. Para mim, a vantagem é não sair do ecossistema Google: gravação, edição básica e compartilhamento ficam no mesmo lugar, sem precisar instalar programa de edição. E de uma forma bem fácil de usar, que me dá mais autonomia.

Como eu uso: tutoriais em vídeo com gravação de tela.

O que me incomoda: limitações de tempo e de recursos (alguns só estão disponíveis em planos pagos)

Pra quem funciona melhor: quem já usa o Google Workspace (e muitas escolas usam) e quer gravar tutorial para alunos ou colegas sem curva de aprendizado de um editor de vídeo.

O que nenhuma dessas ferramentas faz por mim

Lendo este post, pode parecer que eu aperto uns botões e o conteúdo se faz sozinho. E não é nada assim (quem dera rs).

A ideia, a pesquisa e a opinião continuam sendo minhas. Nenhuma ferramenta escolhe o tema, lê o documento do MEC, discorda de um dado ou decide o que vale a pena dizer para educadores. Quando eu pulo essa parte, o resultado é exatamente o que eu critiquei no post sobre AI Slop: conteúdo com esforço quase zero, que transfere para quem lê o trabalho de separar o que presta do que não presta.

Por isso, para mim, a IA é parceira e suporte, nunca o conteúdo principal. Tudo o que ela gera é ponto de partida. Depois de cada resultado, eu leio, edito, modifico e ajusto até chegar a um texto (ou uma imagem, ou um roteiro) que seja meu. E essa leitura não é só para caçar erro. Um texto pode estar todo certinho e ainda assim não ter nada de mim: não ter a minha opinião, o meu exemplo de sala de aula, o meu jeito de falar. Quando eu reviso, eu me pergunto se aquilo diz o que eu quero dizer, do jeito que eu diria. Se a resposta é não, eu reescrevo (e acontece bastante rs).

Tem também a questão da dependência. Boa parte do meu fluxo está apoiada em plataformas pagas, que podem mudar de preço, de regra ou simplesmente acabar com um recurso de um dia para o outro. Eu falei disso no post sobre enshittification, e vale aqui também: o fluxo tem que ser meu, não da ferramenta. Se o Claude sumir amanhã, eu perco velocidade, mas não perco o método, porque as instruções, os modelos e a estrutura de cada formato estão documentados e dá pra levar para outro lugar.

E isso vale para a sala de aula do mesmo jeito. Se você quer usar IA para preparar material, a pergunta não é “qual ferramenta”, é “qual parte do meu trabalho eu quero acelerar, e qual parte eu não abro mão de fazer”. Usar bem a IA começa por saber onde termina o trabalho da máquina e começa o seu.

E você? Usa alguma dessas ferramentas para criar material ou conteúdo? Tem alguma que não está na minha lista e que eu deveria testar? Me conta nos comentários, adoro descobrir o fluxo de outras pessoas (e roubar umas ideias rs).

PS: Se você quer montar o seu próprio fluxo com IA, mas ainda não sabe por onde começar, o meu curso IA para Educadores: Entenda, Use e Ensine foi feito para isso: com ética, segurança e menos sobrecarga, mesmo que você não seja “da tecnologia”.

Compilado de artigos

Guia Básico: IA para Educadores

Um percurso completo, dos fundamentos da IA à prática em sala de aula, para que você não apenas acompanhe essa transformação, mas a lidere com propósito e segurança.

Deixe um comentário

Por favor, insira seu comentário!
Por favor, insira seu nome aqui

Roberta Freitas

Professora

Roberta é educadora com foco em tecnologia educacional e interesse em novas tecnologias, inovação, gestão e capacitação de professores. Mestre em Estudos da Linguagem, graduada em Letras. Google Innovator, Google Trainer e líder do Grupo de Educadores Google do Rio de Janeiro. Atua no ensino de língua inglesa há mais de 15 anos e se especializou em integração de tecnologia educacional no currículo. Tem experiência e interesse em design instrucional, capacitação de professores, ensino remoto e híbrido, metodologias ativas, ensino de idiomas, integração de tecnologia educacional, cultura maker, realidade virtual e aumentada e inteligência artificial. É fã de moda, viagem e gastronomia.

✨ Faça parte da primeira turma!

IA para Educadores:
Entenda, Use e Ensine

Integre a IA à sua prática docente com ética, segurança e menos sobrecarga,mesmo que você não seja "da tecnologia"

Garanta sua vaga agora!