Além do Hype: O que aprendi sobre IA e educação no ISTELive 25

Um compilado das tendências em IA e educação vistas no ISTELive 25

Acabo de voltar do ISTELive 25, uma das maiores conferências em tecnologia educacional do mundo, e posso garantir: a bagagem veio cheia de reflexões, novas ferramentas e, claro, um novo olhar sobre a Inteligência Artificial na educação. E hoje venho trazer aqui um pouco do que ouvi lá sobre IA e Educação.
O tema central, que ecoou em praticamente todas as sessões, foi a transição de um momento de ansiedade da IA para um momento de ação. É uma jornada que muitos de nós já estamos vivendo, mas que no congresso ganhou um novo fôlego. Um marco este ano foi a fusão inédita ISTE e ASCD e essa foi a primeira vez que as duas conferências aconteceram juntas. Richard Culatta, o CEO da nova organização, resumiu a urgência deste momento com uma frase que me marcou: “A vida é muito curta para experiências de aprendizagem ruins”. Essa é a essência do que trouxe na mala: a busca por experiências de aprendizagem transformadoras para todos.

“Ainda precisamos continuar ensinando habilidades humanas essenciais como a compreensão e a imaginação.”

O Cenário Atual da IA na Educação: perfis de educadores

Em uma das sessões que participei, foi apresentada uma taxonomia bem interessante para classificar a nossa relação com a IA. Eu me identifiquei e, talvez, você também se identifique com algum desses perfis:
  • Quem repudia: Aqueles que ignoram ou se recusam a usar a IA na sala de aula.
  • Quem usa para eficiência: Aqueles que veem a IA como um atalho para otimizar tarefas existentes, como resumir textos ou gerar planos de aula.
  • IA para transformação educacional: Aqueles que buscam uma mudança significativa, reestruturando as atividades pedagógicas para aproveitar o potencial da IA.

Ficou claro que o foco do evento foi encorajar o terceiro grupo. A ideia não é apenas fazer o mesmo de forma mais rápida, mas sim repensar o que e como ensinamos.

Redefinindo Habilidades Fundamentais para a Era da IA

Apesar de estar muito em alta e estar presente na maior parte das conversas sobre educação hoje em dia, a IA não é totalmente nova. Já passamos por outras tecnologias que foram introduzidas na vida e, consequentemente na educação, e nosso papel enquanto educadores continua firme e forte. Nossos alunos ainda precisam saber ler e escrever. Ainda precisamos continuar ensinando habilidades humanas essenciais como a compreensão e a imaginação.
Miral Kotb, reforçou essa ideia ao compartilhar sua jornada como uma pessoa neurodiversa, enfatizando a importância de celebrar as diferenças e cultivar a empatia em sala de aula. Scott Shigeoka e Jason Reynolds nos lembraram da importância de cultivarmos a curiosidade e a imaginação, para que elas não fiquem somente na infância. E aqui fica o questionamento: como nossas escolas estão equipando os estudantes para essas habilidades?

O perfil de um graduando pronto para a IA

Perfil de um graduado pronto para a IA lançado pelo ISTE+ASCD
O ISTE lançou na conferência o perfil de um graduado pronto para a IA, um conjunto de seis competências humanas essenciais que todos os alunos precisam antes de se formarem. Não são habilidades sobre como usar IA ou o que é IA. São habilidades humanas que precisamos aprender a ser melhores com a IA:
  • Aprendiz: usar a IA para aprender melhor, incluindo metas e estratégias de aprendizagem
  • Pesquisador: usar a IA para investigar e analisar tópicos, avaliar alegações e comparar fontes de informação.
  • Sintetizador: usar IA para sintetizar, remixar e refinar informações
  • Idealizador: usar a IA como parceira de brainstorming
  • Conector: usar a IA para aumentar a colaboração humana
  • Contador de Histórias: usar a IA para apresentar e comunicar ideias complexas por meio de texto, imagem, áudio, vídeo e outras mídias
Esse perfil se torna muito relevante quando consideramos que qualquer aluno nosso nos dias de hoje, não importa a série ou etapa da educação, está ou estará se formando na era da IA. E esses alunos não estão e nem se sentem prontos para este mundo.

IA e a Taxonomia de Bloom: Uma Parceria em Evolução

Taxonomia de Bloom na era da IA

Em 2024, participei de uma sessão com o pessoal da Ed3 Dao, em que eles trouxeram um estudo sobre IA e Taxonomia de Bloom, e quem performava melhor em cada estágio da taxonomia. Este ano, participei novamente de uma sessão deles, onde compararam a relação entre humanos e IA em 2023 e 2025.

  • Em 2023, a IA superava os humanos em categorias como “lembrar” e “aplicar”, e na de “analisar”. Já os humanos se destacavam em “compreender”, “avaliar” e “criar”.
  • Em 2025, o cenário mudou. A conversa não é mais sobre quem é melhor, mas sobre a parceria. As categorias de “criar” e “avaliar” agora são Humanos + IA.
A mensagem é clara: na Era da IA, a colaboração entre as habilidades cognitivas humanas e as capacidades da IA gera “superpoderes”. A IA não substitui o pensamento humano, ela o potencializa. Richard Culatta trouxe uma metáfora interessante na sua fala: imagine um carro esportivo e um caminhão. Cada um tem uma função, certo? Você não vai usar o caminhão para ir ao cinema ou levar seu filho à escola. Você também não vai carregar pedras em seu carro esportivo. Cada veículo tem um propósito, certo? E assim deve ser nossa relação com a IA. Devemos nos questionar: O que eu faço bem? O que a IA faz bem? E delegar as tarefas. E a resposta vai ser única para cada pessoa!

O Desafio da Alfabetização Midiática e do Pensamento Crítico

A IA também nos trouxe um novo desafio: a era da “Infobesidade“, um excesso de informação de baixa qualidade, e o termo “SLOP“, eleito a “palavra do ano de 2024”. SLOP é um novo termo para nos referirmos a conteúdo gerado por IA de forma indiscriminada, com baixa qualidade e impreciso.
Era da infobesidade
Para combater isso, foi apresentado o framework DROP THE SLOP como uma estratégia prática:
  • Scrutinize (Examinar): Verificar fontes, preconceitos e possíveis manipulações.
  • Limitations (Limitações): Expandir a perspectiva e considerar as limitações dos dados para não cair em “câmaras de eco”.
  • Observe (Observar): Perguntar “Por que isso foi criado?” para tentar identificar agendas ocultas.
  • Partner (Parceria): Fazer parceria com a IA, mas lembrando que ela não tem a autoridade final, pois não pode realmente entender como os humanos.

Um Chamado à Ação

O ISTE+ASCDLive25 reforçou a ideia de que a IA não é uma ameaça, mas sim uma oportunidade que exige uma mudança de mentalidade. A mensagem final é para que possamos ir além da eficiência (e dos planos de aula em 30 segundos) e nos mover em direção à transformação educacional, usando a IA para construir experiência educacionais mais relevantes e equipando nossos alunos com as habilidades críticas e a autonomia cognitiva necessárias para navegar e prosperar no mundo com IA.

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Roberta Freitas

Professora

Roberta é educadora com foco em tecnologia educacional e interesse em novas tecnologias, inovação, gestão e capacitação de professores. Mestre em Estudos da Linguagem, graduada em Letras. Google Innovator, Google Trainer e líder do Grupo de Educadores Google do Rio de Janeiro. Atua no ensino de língua inglesa há mais de 15 anos e se especializou em integração de tecnologia educacional no currículo. Tem experiência e interesse em design instrucional, capacitação de professores, ensino remoto e híbrido, metodologias ativas, ensino de idiomas, integração de tecnologia educacional, cultura maker, realidade virtual e aumentada e inteligência artificial. É fã de moda, viagem e gastronomia.