Geração de imagens com IA: o guia do educador consciente

Saiba como usar a geração de mídias com IA e evitar a superficialidade

Vocês já devem ter percebido que a Inteligência Artificial (IA) tem sido o tema principal das nossas conversas e reflexões. É inegável que ela tem potencial para transformar a educação, mas como toda ferramenta poderosa, precisamos saber quando e como usá-la.
No meu trabalho e nas minhas pesquisas, percebo que muitos educadores ficam na dúvida sobre a criação de mídia (imagens, áudios, vídeos, textos) com IA. Muitos acabam gerando mídias pelo hype ou para fazer parte de trends. Pensando nisso, e com base no que vi no ISTELive25, preparei esse Guia Prático para nos ajudar a tomar decisões mais conscientes na sala de aula. O foco não é na tecnologia em si, mas em como ela serve ao aprendizado.

Quando é melhor evitar a geração de mídia com ia?

Minha filosofia é: a tecnologia nunca deve ser um obstáculo ou uma substituição do aprendizado significativo. Se o uso da IA gerar mais confusão, superficialidade ou desumanização, é hora de pausar. E já começo falando sobre esse post aqui. Reparou na imagem de capa? Foi gerada com IA, usando o Gemini. O prompt pedia uma imagem que representasse o conteúdo do post. E eu odiei rs. Mas usei de forma proposital, para mostrar que há formas melhores de mídias e que nem sempre a imagem gerada com IA vai ser a melhor ou a mais adequada.

Quando existe uma versão humana mais rica:
Para criar um vídeo introdutório que o professor poderia gravar com sua própria voz e rosto, adicionando aquela conexão pessoal insubstituível. A IA deve complementar, não substituir a presença humana onde ela é crucial.

Quando a precisão é o fator crítico (o “fato” é a lição):
Gerar imagens de células ou de fatos históricos que precisam de exatidão científica ou documental. As IAs generativas ainda podem alucinar ou distorcer fatos, e isso é perigoso em conteúdos onde a informação correta é a base do aprendizado (ciências, matemática, história).

Para retratar pessoas ou culturas sem análise crítica (como por exemplo, na polêmica da estética ghibli):

Imagem gerada com Google Whisk para investigar possíveis vieses na geração de imagens com IA

A IA pode perpetuar estereótipos ou criar representações vazias. Lembra da recente “trend” de gerar imagens no “estilo Studio Ghibli”? Essa prática levanta questões cruciais sobre o treinamento da IA sobre o trabalho de artistas existentes e o desrespeito à autoria original. Se você precisa ilustrar uma cultura ou estilo artístico, use fontes autênticas, fotos reais ou envolva a comunidade, convidando a uma análise crítica do que a mídia gerada pela IA pode distorcer ou plagiar.

Para substituir o pensamento criativo do aluno:
Se a tarefa é desenvolver uma narrativa, criar um desenho original ou compor uma melodia como forma de avaliação do seu aprendizado, a IA tira o propósito da atividade. A IA deve ser usada como rascunho ou ferramenta de brainstorming, mas a criação final deve ser do aluno.

Se a mídia distrai do aprendizado:
Isso acontece quando usamos imagens geradas por IA muito chamativas para ilustrar um conceito simples. Se o aluno focar mais na arte do que na informação, a ferramenta falhou. A mídia precisa ser funcional e pedagogicamente relevante.

Se os alunos podem confundir com mídia real:
Se a IA cria um “deepfake” de um evento histórico ou uma citação falsa de uma pessoa. É fundamental que os alunos saibam a origem do que estão vendo.

Se a privacidade e os dados do aluno podem ser comprometidos (como no caso da projeção de carreira):

Notícia do G1 sobre trend de geração de imagens para projeção de carreira

Aqui vem uma regra de ouro: nunca use ferramentas de IA generativa para criar mídias que envolvam rostos, vozes ou dados pessoais de alunos sem consentimento explícito e formal. O caso da professora que projetou os alunos em suas profissões futuras, por mais inspirador que seja, acende um alerta: ao enviar fotos de alunos para uma ferramenta de IA generativa (muitas vezes externa e com políticas de privacidade pouco claras), você pode estar violando a privacidade e os direitos de imagem deles. Todo professor deve ter o máximo cuidado ao lidar com imagens de seus alunos, garantindo que o uso da IA não comprometa a segurança e a identidade digital das crianças.

Quando a geração de mídia com IA potencializa o aprendizado?

Tá, mas então eu não devo gerar imagens com IA? Calma, não é bem assim… Quando a IA atua como uma catalisadora, tornando o conteúdo mais acessível, engajador e personalizado, o uso é super válido!

Para aprendizado de idiomas ou memorização:

Podemos usar IA para gerar rapidamente flashcards, listas de vocabulário temático ou pequenos diálogos em outro idioma, simulando pronúncias nativas. A repetição personalizada e o feedback imediato são ótimos. Gerar músicas também é uma ótima ideia, pois ajuda na retenção do conteúdo.

Vejam esta música criada por alunos meus usando o Suno.ai. Eles usaram o conteúdo aprendido nas aulas – e também um tanto de ironia rs – para gerar esta música.

Roberta vs. Copilot: A Rivalidade Tecnológica

Para simular cenários do mundo real e hipotéticos:
É possível gerar imagens de como seria um determinado ecossistema sob a mudança climática, ou criar um “ambiente” de áudio de uma cidade antiga para uma aula de História. A IA quebra as barreiras do custo e tempo da produção tradicional.

Para conectar temas da aula aos interesses dos alunos (personalização):
Um professor de Física pode pedir à IA para criar um problema que envolva a cinemática de um super-herói específico que os alunos amam. A personalização nesse caso pode ajudar bastante no engajamento da turma.

Para investigar a ética da IA:
E que tal pedir à IA para gerar uma imagem controversa e, em seguida, pedir aos alunos para analisar criticamente: Qual foi o prompt? Quem criou? Quais são os vieses? Como fica a autoria? Isso transforma a IA em um objeto de estudo fundamental para a cidadania digital.

A chave é a intenção pedagógica

A IA é uma ferramenta incrível, mas a sua eficácia reside na nossa intenção pedagógica. Antes de apertar o botão Gerar, pergunte a si mesmo:

Isso torna o conceito mais claro, mais acessível, ou mais envolvente para o meu aluno, sem comprometer a integridade do aprendizado, a autoria criativa dele, ou a sua segurança e privacidade?
Se a resposta for sim, use-a sem medo. Se for não, voltemos ao lápis e papel (ou ao nosso próprio conhecimento humano, que ainda é insubstituível!).

Mas e por aí? Como você tem usado mídias geradas por IA no seu planejamento e nas suas aulas?

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Roberta Freitas

Professora

Roberta é educadora com foco em tecnologia educacional e interesse em novas tecnologias, inovação, gestão e capacitação de professores. Mestre em Estudos da Linguagem, graduada em Letras. Google Innovator, Google Trainer e líder do Grupo de Educadores Google do Rio de Janeiro. Atua no ensino de língua inglesa há mais de 15 anos e se especializou em integração de tecnologia educacional no currículo. Tem experiência e interesse em design instrucional, capacitação de professores, ensino remoto e híbrido, metodologias ativas, ensino de idiomas, integração de tecnologia educacional, cultura maker, realidade virtual e aumentada e inteligência artificial. É fã de moda, viagem e gastronomia.