Oi! Se você ainda não me conhece, muito prazer, sou Roberta Freitas. Hoje eu vim aqui contar para vocês um pouquinho da minha trajetória. Sou educadora, especialista em tecnologias educacionais, chef amadora, blogueira (?), amante de viagens, comida e moda. Mas vamos entender como cheguei até aqui?
“Na minha cabeça eu tinha uma certeza: quero fazer faculdade de moda.“
Mês passado estava em um congresso e em uma das palestras escutei: “Carreira não é como uma escada, é como uma treliça“. Você sabe o que é uma treliça? A treliça é uma estrutura formada por barras dispostas em triângulos, interligadas por pontos chamados de “nós”. Muito comum na construção civil, ela tem como função oferecer apoio, resistência e estabilidade, sendo usada em coberturas, lajes, pontes, passarelas e telhados. E pensar a carreira como uma treliça faz muito sentido para mim, entendendo que não é um caminho reto, mas são muitos pontos que se conectam, pessoas que se apoiam e caminhos plurais.

Tudo começou lá atrás, ainda no colégio. Nasci na cidade do Rio de Janeiro e estudei em um colégio católico super tradicional. Mas de tradicional eu não tinha nada – cabelos raspados ou pintados, calças largas pichadas e rasgadas, usava cuecas da turma da Mônica e desafiava todas as regras que os freis tentavam impor. Você pode imaginar que eu era uma péssima aluna, mas pelo contrário, minhas notas eram ótimas. A rebeldia era só na aparência, sempre fui super certinha. E por isso os freis não sabiam bem como lidar comigo, rs. Como repreender uma aluna que parece doida, mas que só tira nota boa? Na minha cabeça eu tinha uma certeza: quero fazer faculdade de moda. Muitos achavam que eu estava louca, alguns quiseram me convencer a fazer vestibular de medicina ou direito, mas minha família me apoiava e isso bastava.
Cursei a tão esperada faculdade de moda. E amei! Curti cada segundo, fiz projetos incríveis e, sim, trabalhei por um tempo na área. Só aqui entre nós… Trabalhei com figurino de cinema em alguns filmes da Xuxa e algumas propagandas. Como eram filmes de fantasia (Xuxa e os Duendes e Xuxa em Abracadabra) pude colocar minha criatividade em prática e amei! Mas entendi que a moda para mim era mais um hobby e não uma carreira (e aqui já teria descido do primeiro degrau da “escada”).
Passei um tempo sem saber que caminho seguir, e foi num domingo lendo o jornal (sim, queridos, estou entregando a idade aqui falando de uma época em que ainda líamos os jornais impressos e ficávamos com as mãos sujas de preto), que abri o Caderno Boa Chance do O Globo à procura de um novo emprego. E eu estava perdida. Não sabia bem o que queria da vida e usei o jornal quase como um oráculo.
Eu tinha duas opções:
- Uma escola de inglês que buscava professores. Não pedia formação, nem experiência. Ora, eu falava bem inglês e gostava da ideia de dar aulas. Primeira opção assinalada.
- Um restaurante buscava uma hostess. Bom, será que seria um trabalho tão difícil?
E a vida se encarregou de escolher por mim. Fiz a entrevista para hostess e até hoje aguardo um retorno. Fiz entrevista e treinamento na escola de inglês e fui chamada para dar aulas. E ali começou uma paixão pela educação. Mas calma, esse não foi o primeiro degrau da escada da carreira, mas talvez o primeiro quadradinho da treliça.
Estudei inglês no Ibeu minha vida toda e a partir do momento que comecei a dar aula, queria muito dar aulas na minha escola do coração. Passei pelo processo de seleção e… não passei de primeira. E comecei a me dedicar à educação. Fiz novamente Vestibular e passei para Letras na UERJ. Fui chamada para trabalhar no Ibeu no ano seguinte. E tinha cada vez mais certeza que estava onde queria estar.


Mas vocês já devem ter percebido uma certa inquietude, né? A cada novo quadrado da treliça, me debruçava no contexto, sempre quis ir a fundo, estudar e entender melhor o que eu estava fazendo e como poderia melhorar o meu trabalho. Em 2015, tive a oportunidade de ir pela primeira vez ao ISTE, uma das maiores conferências em tecnologias educacionais do mundo. Nossa, foi como ir a um parque de diversões. Eu me encontrei de verdade ali.
E foi ali que comecei a me aventurar pelo mundo Google for Education. Transformei o Ibeu em uma escola Google, me tornei Google Innovator, Google Trainer e líder do grupo de educadores Google Rio de Janeiro. E não foram simples certificações, foi a entrada em uma comunidade de educadores inspirados a realmente transformar a educação. Foi o início de uma transição do mundo do ensino do inglês para o mundo da educação. Enxergando dessa forma, comecei a propor inovações no ensino de inglês das quais me orgulho muito.

5 ações tecnológicas na educação que transformaram minha trajetória:
- Trouxe a tecnologia como apoio para as aulas com o objetivo de sermos mais do que uma escola de inglês, mas uma escola de desenvolvimento de competências e habilidades necessárias para o mundo de hoje.
- Usei a realidade virtual como uma forma de contextualizar a língua e trazer o mundo para nossos alunos.
- Fiz uso da realidade aumentada, utilizando como uma nova forma de interação com o conteúdo, para gerar conversas engajadas em inglês.
- Desenvolvi um projeto maker de baixo custo, com aulas que faziam com que os alunos colocassem em prática o inglês que estavam aprendendo.
- Inseri atividades sobre inteligência artificial quando ainda nem falávamos disso direito (pré ChatGPT)
E foi quando surgiu o ChatGPT que comecei a falar mais sobre tecnologia e educação com o resto do mundo – e não só no meu contexto. E daí surgiram muitos convites para palestras e formações para professores – de todas as áreas. Percebi que eu tinha potencial para ir além. Mas sempre tive uma necessidade de segurança na carreira, então não tinha ainda coragem para colocar a cara no mundo e experimentar novos caminhos nessa treliça.

E mais uma vez a vida se encarregou de me jogar no mundo. Em 2024 eu fui demitida. Depois de 18 anos na mesma empresa. Um baque, claro, mas um baita empurrão na minha treliça da carreira. Não tive muito tempo nem para pensar e quando vi já estava empreendendo e ocupando novos espaços. E agora carrego na bagagem experiências incríveis com formação de professores, cursos online e presenciais, design instrucional, criação de planos de aula, muitas palestras e workshops, consultoria e criação de conteúdo. Hoje esse novo capítulo se abre, com cheiro de livro novo, e a treliça vai crescendo.
Ainda não sei o que o futuro vai trazer, mas neste momento estou aproveitando as oportunidades que aparecem, as conexões que acontecem e os aprendizados que surgem. Tenho me dedicado e curtido bastante trabalhar com formação docente em formatos variados: criação de cursos curtos, desenho de formações mais longas, palestras e oficinas… Grande parte do meu trabalho hoje em dia tem sido em torno da inteligência artificial e educação, mas não se limita a isso.
E enquanto vou alimentando a minha treliça, convido você a se juntar a mim e acompanhar por aqui meus aprendizados, questionamentos e conquistas!

Oi Beta, vim aqui ler a “treliça”. A gente se conhece já tem um tempo e eu acompanho (agora de muito longe) os caminhos que você vem traçando. Admiro muito e acho incrível observar como nossas certezas vão se desconstruindo (ainda bem). Seguirei aqui!
[…] longo dos meus anos como professora, eu colecionei muitas atividades legais e hoje selecionei 5 ideias incríveis para você e seus […]